terça-feira, 28 de julho de 2009

Cap XXVIII - Recuperação

O toque do celular faz Bianca despertar. Seu corpo doía, manchas roxas e amareladas marcavam a pele rósea da menina. Abriu os olhos sem coragem para levantar. As dores a fez lembrar a época de seu treinamento, onde seu avô não permitia que ela curasse suas feridas.

O relógio marcava 8:00. Sobre o criado mudo, uma bandeija aguardava silenciosa o despertar da menina. Um copo de achocolatado, algumas frutas e dois sanduiches já frios. Alexander deveria tê-los preparado antes de sair.

Olhou o celular para ter certeza de que já não haviam ligado. Folga parecia uma palavra inexistente no dicionário de um anjo. Mas não havia nenhuma ligação. Jogou o celular sobre o colchão da cama de casal e se deitou novamente.

Curar...
Não curar

Lembrou-se dos ensinamentos de seu avô.
Evoluímos, quando chegamos várias vezes ao nosso limite, sem ultrapassá-lo.
Quando isto ocorre, o limite se expande.

É como um elástico, se você o esticar todos os dias até o seu máximo, ele vai começar a ceder.
Mas se você o forçar além do seu limite ele quebra, e todo esforço terá sido em vão
Com algum esforço levantou-se. E foi para o banheiro. A água gelada fez a menina estremecer. Embora pudesse usar o chuveiro quente, não gostava da ideia de um banho quente, numa cidade naturalmente quente.

Enfaixou as fraturas mais expostas e agradeceu a Deus por não ser a única querubim da falange quando notou todos os seus dentes no lugar.

Ainda estava de toalha quando pegou seu diário e começou a escrever
"O que eu faço?" ela perguntava
"O que você achar que é certo." Pensava em seguida.
Olhou para espada proxima a cama.
- É... vamos treinar minha querida Shivani...

Treinar nas condições em que estava era um desafio. Os músculos forçavam e reclamavam o esforço. Vez ou outra parava um pouco e comia algo. Mas, logo, voltava ao treinamento.

O cabelo era molhado pelo suor das costas mesmo estando preso, a camiseta agarrava apele, uma pele esfogueada, quente. A respiração ofegava e fios de cabelo resistiam a manter-se amarrados e se soltavam com os movimentos mais bruscos realizados pela garota.

Enxergava o ambiente a sua volta pela pele, pelo som. A venda nos olhos testava a precisão de cada golpe.

Sua habilidade com a espada estava ficando cada vez melhor.

Quando a noite cobriu os céus, a querubim encerrou seu treinamento. Tomou um banho e começou a fazer suas orações. Já estava num limear entre o sonho e a realidade quando escutou a tranca da porta abrindo.

- Bianca?- Colocando as chaves e o terno sobre a mesa.

- Hum?- Disse a menina de bruços, sob o lençol e cobrindo a cabeça com o travesseiro

- Como você está?

- Cansada, inchada e toda roxa.

O captare riu da brincadeira
- E por que você está assim?-Desabotoando a camisa

- Tava treinando, descobri que eu tenho nervos que nem sabia que existia.-Ela faz ma pequena pausa e complementa - Eles estão doendo agora.

- Vamos jantar?

- sem fome, eu passei o dia comendo.

- Assim você engorda.

- Eu estou em fase de crescimento...- Resmungou afogando a cabeça no colchão

- Sei... Posso ajudar em alguma coisa?

- Não precisa, não; mais tarde eu me curo.

- Você... não precisa se esforçar tanto

- Alzinho, meu amor. Naquela falange, enfrentar a morte é cotidiano, pelo que eu estou vendo.

- Eu vou para o quarto, qualquer coisa, chame.- Dá um leve abraço nos lençois

- Boa noite, Al- Levantando o travesseiro

- Durma bem...
... minha pequena ...

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E como eu sempre digo... a vida é irônica
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Um comentário:

Adrian disse...

Há! adorei a foto da shivani e da moça no lago na floresta...
Curar ou não curar...