segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tribunal do Santo Ofício

A Inquisição Celestial não funciona meramente através de denúncias ou caçando pecadores. A organização tem um sistema de informações peculiar para garantir que os criminosos sejam pegos antes que seus crimes se perpetuem. A vigilância recai sobre todos os anjos, observando-se cada mandamento e cada jogo feito na Cidade de Prata.


Os Tribunais

A Inquisição Celestial tem mais de um tribunal, porém não um em cada cidade, como é imaginado. Seria impossível para a organização manter controle sobre tantos anjos e tantas cidades com tribunais localizados. Dessa forma, o Serafim Dalaiah definiu que haveria o Grande Tribunal, localizado na torre base dos inquisidores, a Catedral da Fé e da Doutrina.

É nessa grande construção, cercada de símbolos religiosos e com escritos bíblicos cobrindo quase todas as paredes que ocorrem os grandes julgamentos. O local está sempre agitado. Anjos andam de um lado para o outro com pergaminhos e livros, registros de crimes, processos criminais e de investigação. As salas dos juízes estão sempre em movimento e nunca são fechadas. Há sempre dois deles em cada uma, julgando em revezamento. Cada um julga durante doze horas e agem quase como almas gêmeas, tomando sempre decisões tão parecidas e rígidas que são como uma só mente em corpos separados.

Os Tribunais Celestiais Menores estão localizados em vilas importantes da Cidade de Prata. Existem doze para cada círculo, chamados na seqüência de Primeiro Tribunal Menor de Marte ou Primeiro Tribunal Menor de Luna, Segundo Tribunal Menor de Marte ou Segundo Tribunal Menor de Luna e assim por diante. Eles julgam disputas teológicas e recebem pedidos de troca de religião de almas, assim como revisam casos de distorção da fé e heresias que possam existir na Cidade de Prata.

A vigilâncias dos tribunais se deve muito ao medo da influência dos agentes de Lúcifer e da possível queda de mais anjos. Depois que um Serafim poderoso como Laoviah foi pego em conspiração e com o reaparecimento em massa dos anjos apócrifos, a Inquisição Celestial passou a se preocupar ainda mais. Nota-se que antes o número de tribunais em cada distrito celestial era de apenas três, subindo para poder abarcar o maior número de almas que sempre chega à cidade e combater as disputas teológicas que sempre surgem entre anjos de crenças diferentes.

A grande atividade dos tribunais se deve justamente a essa diversidade de crenças na Cidade de Prata. Como muitas religiões cristãs estão misturadas entre os anjos, casos de discussões entre almas são freqüentes e até mesmo acusações. As almas se acusam por causa de comportamentos que consideram pecaminosos praticados como ocorre nas desavenças mais comuns entre os protestantes e as almas que seguem os santos católicos. Algumas vezes ordens angelicais de santos disputam o mesmo campo de trabalho e querem exclusividade, algo que acaba em um debate teológico que só é resolvido em tribunal.


Os Tribunais da Terra

A Inquisição Celestial permaneceu apenas na Cidade de Prata durante os primeiros anos de sua formação. Apesar de já ter sido formada com pleno poder graças à influência do Serafim Dalaiah, os inquisidores mantinham-se mais atentos aos perigos dentro de seu território, com medo que a corrupção religiosa deixasse a Terra e alcançasse o Paraíso. Quando Dalaiah finalmente decidiu aturar na Terra, sentindo-se preparado para o desafio, montou os primeiros tribunais. Eles surgiram na Itália, França, Espanha e Portugal, justamente nas principais cidades como Roma, Paris, Madrid e Lisboa. Pouco depois, outros dois foram fundados em Compostela e Barcelona. Esses tribunais existem até hoje e mais foram formados, porém em uma quantidade menor.

A descoberta de novos continentes e a criação de novas nações transformaram um pouco a atuação da Inquisição Celestial. Dalaiah decidiu criar poucos tribunais nesses lugares, preferindo adotar o plano de visitações. Os tribunais da América foram criados apenas a partir do século XVIII. Os primeiros foram o de Buenos Aires, responsável pela América Latina, Nova York, Washington, responsáveis pelos EUA e Canadá, Cidade do México, responsável pela América Central, e Rio de Janeiro. O tribunal do Rio de Janeiro foi movido posteriormente para duas cidades do interior do Brasil. Uma delas foi Aparecida do Norte em São Paulo. Uma segunda base menor foi Divinópolis, em Minas Gerais. Enquanto a primeira base estava ligada ao acúmulo de informações, a segundo era um posto de formações de guerreiros e de identidade com as correntes evangélicas e pentecostais.

O tribunal de Jerusalém funcionou durante algum tempo, dando apoio a todos os anjos cristãos do Oriente Médio, mas perdeu força recentemente quando Gabriel entrou em embate com Dalaiah, afirmando que ele trataria de cuidar de parte dos conflitos angelicais da área e não queria nenhum grupo intolerante atuando e dificultando suas ações. Os inquisidores moveram-se para a Grécia, aliando-se aos anjos ortodoxos e dando apoio à Rússia e ao Oriente Média. Um outro tribunal foi criado na África do Sul, cuidando do continente africano. O Oriente não tem um tribunal formado, mas recebe visitadores do tribunal grego e dos tribunais-norte americanos.

A função dos tribunais terrestres é servir de força reserva para as regiões pelas quais são responsáveis, guardar registros de julgamentos e conduzir julgamentos menores que não envolvam formação de seitas ou heresias, além de ajudar de debates menores. Qualquer julgamento que envolva mais de uma religião cristã, a formação de alguma seita ou o envolvimento de mais de oito anjos é enviado imediatamente para a Cidade de Prata, onde receberá a devida atenção da Catedral da Doutrina e da Fé. Uma vez que um processo é enviado para a Cidade de Prata, não existe um anjo que não lamente seu destino.


As Ações Inquisitoriais

Todo o processo da Inquisição tem início com uma figura, o inquisidor visitador. Ele costuma ser um anjo Corpore, Captare, Protetore Anjo ou Protetore Virtude que vaga de cidade em cidade na Terra ou de vila em vila na Cidade de Prata. A ação de cada visitador varia. Alguns anunciam aos Principados sua chegada e montam a chamada Banca de Visitação, esperando por denúncias e fazendo alguns interrogatórios menores. A maioria prefere entrar discretamente na cidade e agir como muitos anjos que viajam junto aos mortais. Eles caminham entre as forças celestiais do local e ouvem tudo o que corre, geralmente usando muitos poderes. Após ouvir o suficiente, cria um relatório e envia cópias para a Cidade de Prata e para o tribunal responsável da região.

O aparecimento de uma denúncia ou desconfiança no relatório do visitador ativa a ação dos inquisidores investigadores, mais comumente anjos Captare ou Protetore Dominações. Eles iniciam o processo de investigação junto ao Principado local, usando as cartas que lhes dão o direito de interrogar qualquer anjo ou mortal. Todo caso é investigado meticulosamente e até alguns erros que nada se relacionam com o assunto costumam ser descobertos, o que atrai mais investigadores para cuidarem dos casos secundários.

Os investigadores nunca agem sozinhos. Sempre atuam em grupos de três para terem maior mobilidade e visões diferentes do ocorrido. Seu líder é sempre um Doutrinador. Caso mais de seis sejam necessários sejam necessários, um Lictor segue junto para coordenar a investigação.
Os investigadores costumam ter pelo menos um guerreiro no grupo e mantém-se em contato constante com seus superiores para chamar por mais anjos de armas em caso de perigo. Denúncias mais graves ou indícios de formação de seitas sempre levam os investigadores a aparecer já com um grupo de guerreiros que fica a espreita na cidade, disfarçados e prontos para iniciar a batalha. Os guerreiros sempre são comandados por Lictores e não possuem o título de inquisidores.

Os prisioneiros feitos durante as investigações podem ter dois destinos. Casos menos graves são julgados nos tribunais regionais, enquanto os importantes seguem para a Cidade de Prata. Um Juiz cuidará do julgamento, podendo levá-lo a um Magistrado nos casos de maior debate ou dúvida.

Todo condenado é levado para a Cidade de Prata, a não ser que se julgue que a presença dele no Paraíso possa corromper o local. O resultado de julgamento é a expulsão e condenação à prisão no Deserto de Dudael, nos calabouços da Catedral da Doutrina e da Fé ou o ritual de Prisão, que envia o anjo para o Inferno e impede que saia de lá até o Apocalipse. Esse último só é utilizado em casos raros, muito raros. Existe ainda uma opção mais incomum, a destruição dos anjos. Essa não cabe à Inquisição, mas aos anjos apócrifos ou anjos da morte. Durante muito tempo, os anjos de Laoviah cuidavam de queimar os condenados. Agora o trabalho cabe aos servos de Uriel que leva os condenados a fins ainda mais sofríveis. Algumas vezes eles são banidos para o Abismo e deixados para que as criaturas abissais se alimentem da carne de luz.


Hierarquia

Os inquisidores possuem uma hierarquia rígida e inflexível que nenhum deles questiona. A maioria também não se importa em galgar os níveis, visto que a importância do trabalho de cada um é vista como máxima. No fim, a hierarquia é vista mais como uma divisão detalhada dos trabalhos que serve para colocar ordem na organização.

  • Inquisidor
Os inquisidores são aqueles divididos nos papéis de visitadores, investigadores e dos anjos que cuidam dos processos normais nos tribunais, recebendo as denúncias e despachando documentos. Eles são a ligação entre os outros grupos da hierarquia e aqueles que mais se movimentam.

  • Doutrinador
Os Doutrinador são os coordenadores de grupos móveis de inquisidores. Eles circulam entre visitadores e investigadores, ajudando a definir missões e julgando quais são as de maior importância. Também ficam encarregados de analisar casos de pregação e interpretações das Escrituras.

  • Lictor
O Lictor assume uma posição mais marcial dentro da Inquisição Celestial. São os responsáveis por coordenar os guerreiros e as ações de supressão de heresia. Eles cuidam da parte que exige força e ações mais dinâmicas. Também despacham as punições ou levam os condenados a seu devido destino.

  • Juiz
Os juízes são menos móveis que os outros integrantes da hierarquia. Eles ficam encarregados de julgar dentro dos tribunais, analisando casos, filosofias, denúncias maiores e regendo os próprios julgamentos. Poucas vezes saem para trabalhar fora, pegando essa tarefa apenas quando um tribunal móvel é deslocado para atuar em uma cidade maior, onde existam mais denúncias e uma ação mais dinâmica.

  • Magistrado
Os Magistrados são os líderes dos tribunais. Eles coordenam o tribunal e todos os anjos que estão abaixo deles na hierarquia. Todos os Magistrados devem obediência ao Serafim Dalaiah.

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